HISTÓRIA DA RAÇA

Descende diretamente do lobo cinza, sem infusão de qualquer outro sangue.  

Há comprovação cientifica, de sua descendência direta, através do estudo da cadeia de DNA onde traços são encontrados até os  dias de hoje. 

Existem relatos que eles datam de antes de cristo, mas na história temos registros a partir do século XVII.  

É considerada uma das 3 raças mais antigas do mundo e está entre as 14 raças com identificação positiva para descendência do Lobo Cinza. 

É uma raça pura, sem infusão de outros cães em sua formação enquanto raça, devido as regiões longínquas onde foram criados depois de domesticados. 

DE ONDE VIERAM

Das tribos nômades de nome “Samoiedos”, que habitavam o extremo Norte da Sibéria, junto ao Círculo Polar Norte e também ao Noroeste da Sibéria. As tribos tinham hábitos e nomes diferentes.

No Noroeste da Sibéria, eram chamados de “NENETS” e tinham um convívio bem estreito com seus cães.

E no extremo Norte da Siberia, junto ao Circulo Polar norte, eram chamados de ENETS.

Eram lugares remotos e isolados, com temperaturas extremas, que faziam do cão e das renas grandes aliados.

Durante muitos anos viveram isolados, sem qualquer contato com outra civilização.

As Renas eram de extrema valia para essas tribos, pois eram utilizadas no trenó, para seus deslocamentos de trenó com  grandes pesos, para aquecer com sua pele, assim como os Samoiedas, que participavam ativamente em todo tipo de trabalho.

Os cães, eram mais utilizados para ajudar na caça, pastoreio das Renas, aquecer e tomar conta da família, dentro das “CHOOMS”, como eram chamadas suas ocas. Também eram utilizados no trenó, para grandes distancias, pela sua resistência.

Tudo o que sabemos, vem dos relatos datados do século XVIII, mas nunca houve um estudo cientifico dessas tribos, pois os Russos proibiram os estudos científicos, por antropólogos estrangeiros.

DIFERENÇAS DE PELAGENS

Há diversos relatos, que contam que existia uma diferença na forma de tratar os cães, entre as tribos do extremo norte, os ENETS, e as tribos do Noroeste, os NENETS, que interferiram na seleção das pelagens.

Os ENETS utilizavam os cães para suas atividades no período produtivo, e durante o inverno soltavam aqueles que não seriam utilizados para aquecer a familia, para que buscassem sua própria sobrevivência, economizando alimentos para o sustento da tribo.

Com isso, preferiam os cães de pelagens escuradas ou partcolors, pois eram mais fáceis de serem encontrados, após o inverno, e aqueles que sobreviviam retornavam ao trabalho.

Já as tribos dos “NENETS” tratavam seus cães com muito cuidado e calma, durante o ano todo, onde o cães ajudavam durante o inverno a tomar conta das Renas, que eram guardadas em suas ‘CHOOMS”, além de dormirem com as famílias e ajudarem a aquecer as crianças.

Dizem, que a preferência pelos brancos, chamados de BJELKIERS (cão branco que reproduz branco), devia-se ao fato de ficarem camuflados com a neve, facilitando o pastoreio e as atividades com a família. Com isso, embora não descartassem os cães de outras pelagens, davam preferência aos de pelagem branca, creme e biscuit.

Como se não bastasse tanta consideração da tribo para com seus fiéis companheiros, os Samoiedos cuidavam e respeitavam a condição física de seus cães, ordenando posto de trabalho para cada cão de acordo com sua idade e estado de saúde: Os maiores e mais fortes puxavam trenós para transporte ou caçavam; outros cuidavam dos rebanhos, vigiavam e brincavam com as crianças. Os mais velhos eram dispensados do trabalho, assim como as cadelas que estavam prenhas ou amamentando seus filhotinhos.  

Por conta desse tratamento, foram criados laços fortes entre a tribo e seus cães. Esses laços permanecem fortes no DNA dos Samoiedas, que nos dias de hoje, ainda dedicam seu tempo a sua família.

A DESCOBERTA DOS CÃES ‘BJELKIERS’

Como já dissemos, essas tribos viviam nas partes mais longínquas e geladas da Sibéria, e seu contato com outros povos era inexistente.  

No século XVIII, os russos iniciaram a exploração da Sibéria e tomaram contato com os adoráveis Bjelkiers.  

Os atributos, a personalidade e a beleza exuberante cativaram a família do Czar, que ofereceu proteção à tribo, recebendo em troca, muito raramente, um exemplar de samoieda que ele presenteava algum membro da nobreza europeia.

                                          Fotos de alguns nobres agraciados com cães “BJELKIERS”.

Alexander Trontheim, era o responsável pela escolha dos cães que eram presenteados aos nobres, para o Czar e mais tarde para os exploradores. Escolhia os cães de constituição forte, belos e sempre que possível os brancos.  

Comprava-os nas tribos dos Nenets, pela preferencia dos cães de pelagem creme, branco e “biscuit” e o temperamento, muito peculiar, de extrema relação com seu dono.

IMPORTANCIA DAS EXPEDIÇOES

Na verdade, os Russos não autorizaram as exportações dos cães, até o inicio das expedições.  

Nessa época a disputa entre os ingleses e os noruegueses, para desbravar essas terras estava acirrada, e muitos cães eram necessários. Alexander foi fundamental nas escolhas dos cães que iriam participar dessas expedições, pois teriam que ser os mais resistentes, rústicos e obedientes.  

As expedições usaram vários tipos de cães para puxar os trenós, mas logo os Samoiedas se tornaram a preferência, por sua estrutura forte, mas ágil e seu temperamento valente e amigável.

EXPANSAO PARA O OCIDENTE

ERNEST KILBURN SCOTT

O Samoieda chega a Inglaterra em 1889, ao final das expedições de Ernest Scott, explorador que durante muito tempo esteve em contato com a tribo dos Samoiedas e ao final de suas expedições levou consigo alguns exemplares.  

Entre eles um cão marrom de nome SABARKA (o gordo).  

Sabarka, foi escolhido por Ernest, em uma situação atípica, pois seria sacrificado em uma cerimonia religiosa e ele negociou seus pertences em troca desse cachorrinho.  

Junto com Sabarka ele levou outros exemplares, de outras pelagens, entre eles alguns brancos.  

Iniciou sua criação, com o acasalamento de Sabarka e uma femea branca, que gerou uma ninhada branca.

Logo os exemplares de cor clara caíram no gosto dos ingleses e ele passou a reproduzir somente os animais brancos.

Na foto sua esposa Ivy com exemplares de sua criação

O reconhecimento como raça, se deu em 1909, com o 1º padrão  escrito na Inglaterra, ou seja a mãe da “”RAÇA SAMOIEDA”.  

A raça recebeu o nome de BJELKIERS e somente em 1912 foi trocado para ‘SAMOYEDO” em homenagem as tribos nômades responsáveis pela criação desses incríveis cães.  

Foto das 1as gerações dos cães Samoiedas criados por Ernest Scott  

Sra Ivy Scott com seus exemplares em uma exposição

Abaixo algumas fotos de samoiedas, na Inglaterra, que participaram de exposições e foram exemplares utilizados na reprodução para formação do plantel.

OUTROS CONTINENTES

FRIDTJOF WEDEL-JARLSBERG NANSEN

Noruegues, famoso por sua coragem e que tentou por diversas vezes chegar ao Polo Norte, o que nunca conseguiu.  

Experiente nas expedições, compartilhou com outros exploradores suas experiencia e seus relatos eram respeitados pois era uma forma de ajudar a enfrentar as grandes dificuldades e desafios dessas expedições. Alguns de seus cães também foram compartilhados.

Com a ajuda de Alexander, Nansen selecionou 40 cães, entre eles muitos cães Bjelkiers, pelo temperamento e agilidade,

Entre eles 4 castrados, 1 macho inteiro e algumas femeas aptas para reprodução, mas nenhum retornou da expedição, apenas 6 filhotes nascidos durante as viagens e 1 femea prenhe que pariu 12 filhotes, no navio.

A reputação que os Bjelkiers adquiriram na expedição de Nansen, foi criada pelo próprio aventureiro, que relatou seu feito a outros exploradores.  

Assim, grande parte das expedições ao Antártico e Ártico foram influenciadas pelo comportamento heroico dos cães.  

Apesar da grande importância desses corajosos animais, nenhuma homenagem foi prestada a eles.

Em um de seus relatos Nansen descreve sua impressão sobre o Samoieda: “Fisicamente ele tem o design mais eficiente das raças nórdicas” e continua a descrição de seus atributos:

“A pelagem exterior longa é repelente a terra e a água, assim o cão pode facilmente livrar-se da neve e da sujeira, mas não tão longa que congele.  

Esse sub-pelo é tão espesso e lanoso que praticamente nada pode penetrar e atingir sua pele, evitando lesões e o mantém aquecido.  

Os olhos são profundos e amendoados, facilitando a visão.

Os dedos arredondados dão ampla força para fornecer uma tração extra.  

Seus membros são fortes, sem serem grosseiros como os Malamutes, dando a eles mais agilidade, mantendo a força física.  

Sua calda longa e macia, fornece conforto ao dormir, ao enrolá-la sobre a fronte, protegendo o focinho e a inalação do ar gelado.”

Complementa: “Tão importante quanto suas características físicas, é o seu temperamento, que por diversas vezes superou outras raças na determinação, foco, perseverança e no impulso instintivo para trabalhar em qualquer condição” 

Finaliza: “O que realmente o diferenciou de outras raças, foi o fato de que a motivação do cão para tudo, é para agradar seus lideres humanos. Nas situações de alto risco, como as expedições, é uma conjunção perfeita entre tudo.” 

PRINCESA MONTEGLYON-1906  

A vinda dos Samoyedas para a América do Norte aconteceu de uma forma inusitada, por meio da princesa de Montyglyon, Mercy d’Argentau.

Mercy, princesa hereditária do Sacro Império Romano, estava apresentando alguns de seus cães (dentre as várias raças que possuía estão Collie, Chow-Chow e Cocker Spaniel) em um “Dog Show” na Rússia, mais precisamente em St. Petersburg no ano de 1902. Ela se derreteu por um belíssimo cão branco que a seguia. O nome dele era Moustan, e o Grão Duque Michael, irmão do Czar Nicholas II, era seu proprietário.

Existem relatos que afirmam que “Grand Duque” presenciou a cena e disse à princesa que Moustan parecia encantado por ela. Prontamente a princesa respondeu que pagaria o que fosse para ter um cão como aquele, mas que sabia que ele não estava à venda. Dias depois, quando a princesa entrou no comboio que a levaria de volta à Bélgica, encontrou uma grande cesta enfeitada com muitas orquídeas e rosas. Por entre as flores, uma cabeça peluda e branquinha. Era Moustan! Tinha com ele um cartão, preso em sua coleira, que dizia: “Moustan não está à venda. Nenhum preço poderia ser pago por ele, mas muito honrados ficaríamos os dois, se o aceitasse”. Após dois anos, em 1904, a princesa Montyglyon se mudou para os Estados Unidos da América e levou consigo Moustan e três outros samoiedas, que havia adquirido. Moustan, que já era um grande campeão russo, passou a participar das exposições caninas americanas. Ele foi o primeiro cão da raça Samoieda a ser registrado no American Kennel Club (AKC), fato ocorrido em 1906. Depois de alguns anos, em 1923, foi criado o “Samoyed Club of America” em New York.

O Samoyed Club Of America, desempenha um papel de relevante importância, resguardando todas as características funcionais e de temperamento da raça Samoieda, sem perder a beleza e o charme que a raça possui.

Anualmente, durante a nacional do Samoieda, promovem um seminário com todos os juízes especializados na raça e discutem o padrão, para cada vez mais terem cães padronizados.

O cão mais famoso nos USA foi REX OF THE WHITE WAY, ou simplesmente REX como era conhecido.

De propriedade da Sra Agnes Manson, era um cão de exposições, foi treinado para trenó, e com um condutor profissional, no inverno fazia o trabalho de correio entre as cidades da California e Montana.

Rex também foi treinado a pular de para quedas, em aviões pequenos em baixa altitude, e era usado para resgates nas montanhas.

Contam que REX estava em uma exposição e mandaram buscá-lo para fazer um resgate na montanha de um avião que havia caído.

Com tanto trabalho paralelo REX não chegou a fechar seu Campeonato, mas perpetuou seu temperamento em milhares de linhagens

CHEGADA AO BRASIL – 1975

WERNER DEGENHARDT

Foi graças ao Sr. Werner Degenhardt, que a raça chega ao Brasil em 1975.  

Ele importou um macho do Canadá de nome Nanook e uma fêmea da Dinamarca chamada Freya e esses foram os primeiros Samoiedas de Werner, que deram inicio ao BJELKIERS KENNEL, sendo o 1º canil de Samoieda a ser registrado no Brasil.

Suas 1as ninhadas foram descendentes desses 2 cães, e seus cães encantavam nas exposições e foram muito premiados.

Com um cão, já nascido no Brasil, sagrou-se campeão mundial.  

O Sr Werner faleceu em 2006, mas deixou um grande legado, principalmente no Canil Les Amis.

Um fato interessante, é que, assim como as tribos de Samoiedos ele também confeccionou casacos com a lã proveniente dos pelos de seus Samoiedas.

Infelizmente não cheguei a conhecê-lo, pois sou uma jovem e apaixonada criadora de samoiedas, com apenas 5 anos na criação, mas recentemente o filho do Sr Werner encontrou com uma filhota de nossa criação passeando em Bragança Paulista, e fez questão de se apresentar aos proprietários da filhota. Para nossa alegria, essa filhota de nome SAORI, foi muito elogiada por ele.

BIBLIOGRAFIA:

  • SAMOYED CLUB OF AMERICA
  • AKC
  • OLD HISTORY SAMOYED
  • BRITISH SAMOYED CLUB
  • OLDSAMS
  • THE SAMOYED BREED COUNCIL
  • THE SAMOYEDIC ETHNICITIES
  • SAMOYED ICELAND
  • WIKEPEDIA

“A SPECIAL TKS TO MRS DARLA CASSIDY  FOR THE PHOTOS FROM HER SAMOYEDS WORKING”